Nos anos sessenta em
Itabira, conheci o Zé Venâncio, amansador de animais. Homem franzino de
movimentos rápidos. Misterioso cavaleiro, famoso pela arte de domar cavalos e
burros na região, somente às sextas-feiras.
Certa vez fora chamado
para amansar o cavalo Almofadinha, que já tinha derrubado outros amansadores. Havia
um agravante para Venâncio, o fato de ter que ser no domingo devido folga do
dono.
No domingo o animal
agitado amarrado num poste, recebe Venâncio, com rédeas e um arreio. Olhos nos
olhos o encontro esperado. Venâncio chegou junto da orelha do cavalo e sussurrou
por minutos, ao tempo que ia colocando a montaria. Foi curioso como o cavalo
aceitava tão calmo.
Após a conversa montou no
cavalo. Saiu em disparada pela rua de terra vermelha, empinava, dava coices no
ar. Ele montado, com habilidade falava ao animal. O cavalo foi aceitando a
presença até parar dócil junto ao poste. O dono montou e deu uma volta tranquila.
Todos curiosos pelo segredo
de Venâncio.
Um dia num bar, já idoso bebia cachaça. Um menino que ouviu as histórias dele, quis saber o que ele falava com o animal. Ele falou em forma de segredo, que era uma oração assim: “Santo Antônio pequenino amansador de cavalo, amansa esse cavalo para mim, que é mais bravo do que o diabo. Que fique imóvel debaixo do meu pé esquerdo. Amém”
O
menino saiu saltitando pela rua, gritando aos quatro ventos, que ia ser
amansador de cavalos. Ninguém entendeu nada, mais tarde este menino era o novo
amansador de cavalos na região.
Toninho
20/04/2024
Grato
pela leitura.

