Conheci
a Rua Ramalhete com suas imponentes casas jardinadas com várias espécies de
flores de todas as cores, que bem sintonizavam com o nome desta. Curiosamente nesta
rua havia um destroço de família composta de uma mãe e uma pequena menina, que
mendigavam ali pela generosidade daquelas pessoas ricas residentes.
Mas
o que se via era bem diferente, pois as pessoas saiam com seus carros com
vidros escuros e fechados, alguns inclusive blindados, o temor da violência
urbana. Eram praticamente invisíveis aos olhos dos pedintes. Algumas casas
tinham segurança para abrir e fechar seus portões. Era visível o encontro das
invisibilidades na Rua Ramalhete.
Numa
manhã fria uma moradora viu a menininha encantada com as flores, que pendiam e
caiam dos muros. Ela catava flores, enfeitava os cabelos da mãe e o seu. Comovida
com a cena, ela pediu ao jardineiro para fazer um ramalhete e o levou até a
assustada menininha, que ao receber as flores, abriu um sorriso, deixando brotar
duas gotas de lagrimas, que rolaram no rosto encardido até o canto da boca.
Emocionada a velha senhora tirou um lenço do bolso do vestido e secou a lagrima
que brotou em seus olhos, depois o levou aos olhos da menininha e seco os
caminhos das lagrimas, sob o olhar tenso e terno da mãe.
O
que se sabe, é que depois deste dia numa reunião com os vizinhos, a velha
senhora conseguiu com um dos moradores uma ocupação na chácara de um dos
vizinhos, onde esta mãe e filha moram, a mãe cuida da horta domestica e do
jardim e a menina frequenta a escolinha local e que adora desenhar flores com
uma mão segurando um molho de flores sob um facho de luz.
Toninho.
05/10/2017
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