A dama de vermelho.
A rua era de pedras
irregulares, as casas eram de tabuas pintadas de marrom. Na vila todas as casas
eram iguais, havia uma travessa para a oura rua, que era larga, casas de
alvenaria e cores variadas. Diziam que eram os funcionários de alta linha da
companhia mineradora.
Na Quaresma diziam que
aparecia na travessa, uma mulher de vermelho saracoteando sobre vermelhas
sandálias de saltos altos, nem parecia que pisava sobre pedras irregulares. As
noites eram assim, recheadas de assombrações, a iluminação era precária e o
medo reinava na vila.
Certa noite o Joãozinho
de dona Taninha, vinha do trabalho noturno, passava da meia noite. Quando
passava pelas casas de tabua, sentiu ser observado. Valentão sentiu enrijecer o
corpo de frio. Apressou os passos, quando chegou na esquina, viu a tal imagem.
Criou coragem e desceu a esquina, mas a mulher passou pelas tabuas da cerca como
magia, mas deixou um pé da sandália. Joãozinho pegou a sandália pensando em
contar vantagens para os colegas no outro dia.
Quando ele agachou para
pegar a sandália, ouviu um gemido e uma onda de frio invadiu seu corpo e saiu
correndo com o troféu pela rua. Atrás dele ouvia-se um créu- créu- créu- créu
até alcançar o portão de sua casa. O som continuou pela rua e as casas se
iluminaram de curiosidade.
Entrando em casa, olhou
para a mão e ficou boquiaberto, onde deveria ter uma sandália vermelha, havia
apenas uma rosa vermelha murcha. Joãozinho não teve nada para provar, que vira a
mulher de tábua. Nem sua mulher acreditou na história e foi dormir. Os meninos
da rua adoram ouvir as histórias de Joãozinho.
Toninho
15/04/2023
Grato pela visita.
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