Desde criança lá do interior
do mato das Minas Gerais,
que eu adorava olhar
para a Lua em noites estreladas,
naquela cidade de pouca
luz esta parecia mais bonita.
Olhava e buscava o São
Jorge montado em seu cavalo,
no sacrifício ao dragão
figura do mal por ele derrotada.
Criança de interior
vive cercada de fantasias e medos,
eu cresci assim entre
casos e causos de assombrações,
bem como sob regra rígida
do pecado com penitencias,
que beiravam a uma espécie
de tortura pela educação,
mas no outro dia tudo
se repetia pelas novas emoções.
Assim São Jorge se fez
presente como um super-herói,
que orgulhosamente ostentava
uma medalha ao peito.
um simples cordão de
algodão já encardido, a prendia.
Sujo pelo suor e poeira
de minério que subia aos céus,
o beijo matinal na
medalha garantia defesa cotidiana.
E Jorge era meu santo
forte, capaz de matar o inimigo,
sob seu manto a
proteção para as tantas artes do dia,
o menino traquina com os
medos, fantasmas da mente.
Sentia-se forte, desafio
à sorte, com beijo na medalha,
e sempre voltava
sorrindo das proezas da bela idade.
Agora olho para o Céu
já não vejo meu velho guerreiro,
apenas uma fumaça cobre
a cidade nas noites de lua,
meus olhos se perdem
numa ponta do Cruzeiro do Sul,
recrio as minhas
imagens do menino na velha infância,
com gritos Três vezes
Salva Jorge, Agô Bamba Oxóssi!
Pela proteção à minha
família e amigos na distância.
Toninho
23/04/2018
Boa semana
para todos em
todas as crenças.

