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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Nem sempre o diabo veste Prada.



Jota e Clarice viviam uma relação desgastada sem cumplicidade e tudo motivava brigas. Movido pela esperança Jota programou um passeio no domingo ao Parque Municipal. Outrora muitas vezes estiveram por lá vendo peixinhos da lagoa e comendo pipocas, que jogavam às escondidas dos vigilantes para os peixes e marrecos.

Jota estava todo entusiasmado com humor e risos, que chamava atenção das pessoas pelo parque ou que passavam em direção ao Hospital da Escola de Medicina. Neste instante avistou o fotografo ambulante e pediu a Clarice, para tirar uma foto juntos, no que ela aceitou para alegria do fotografo e aceleração do coração de Jota, que circulava com muito receio.

Jota olhou para a floricultura da Rua Bahia, que naquele domingo estava aberta, pediu licença e rapidamente alcançou o outro lado da rua, de onde veio com um lindo buquê de rosas vermelhas, que depositou nas mãos de Clarice com um beijo, que ela lhe ofereceu a testa, para temor de Jota. Assim prosseguiram até encontrar um banco junto da lagoa. Sentaram bem juntinhos, quando o pequeno vendedor de picolés veio ao encontro. Jota comprou dois picolés, deixou um bom trocado com o garoto, que saiu radiante gritando a marca do seu picolé.

Mas o diabo também circula ao domingo, mesmo sem vestir um Prada. Dizem que anda pelas praças com seu Kit de façanhas. E foi assim que o diabo de minissaia foi avistado por Clarice, que sentiu o picolé derreter pelas mãos. O de Jota caiu no chão ao ver. Era a ex-namorada uma mulata de olhos verdes motivo das brigas e da relação estremecida. Ela sorriu de longe para Jota, que empalidecido abaixou a cabeça. Sentiu que todo esforço estava se diluindo como o picolé na caçada quente. Assim ficou petrificado.

Quando se recuperou, percebeu que Clarice já atravessava a Avenida Afonso Pena e acenava para um táxi, mas sem as rosas vermelhas que lhe ofertara. O mundo lhe caiu sobre os ombros, olhou em volta para os olhares dos transeuntes e pode ver o buquê de rosas cintilando e circundado pelos peixinhos. Dos seus olhos as lagrimas se suicidavam no corrimão de proteção da lagoa. Sentiu cheiro de enxofre e ainda ouviu um o som de um risinho sinistro um pouco além. Nem quis conferir, mas sabia que o diabo estava ali.

Toninho

15/02/2017
Poesia lá no mineirinho

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